15 de fevereiro de 2016

Desenho Urbano e Segurança Viária: requalificação de áreas de baixa velocidade em São Miguel Paulista

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O número de mortes no trânsito na cidade de São Paulo caiu cerca de 21,4% durante a maior parte do ano de 2015, quando comparado ao mesmo período de 2014. É o que aponta estudo produzido pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Foi justamente nesse período que a Prefeitura fortaleceu a política de redução dos limites de velocidade para 50Km/h nas marginais Tietê e Pinheiros, importantes vias de acesso à cidade. Medidas como esta devem ser apenas o início para afastar o Brasil de uma liderança preocupante. Atualmente, o país ocupa a quarta posição no ranking dos países que mais matam no trânsito, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A diminuição da velocidade nas vias tem relação direta com a redução da gravidade das colisões e atropelamentos no trânsito (saiba mais na publicação Impactos da Redução dos Limites de Velocidade em Áreas Urbanas, da WRI Brasil Cidades Sustentáveis). Por isso, o ITDP Brasil,Bloomberg Initiative for Global Road Safety (BIGRS), a WRI Brasil Cidades Sustentáveis, National Association of City Transportation Officials (NACTO)  e MobiLab realizaram no início de fevereiro de 2016, o encontro Desenho Urbano e Segurança Viária: Requalificação de áreas de baixa velocidade. A atividade, que aconteceu na sede do MobiLab, da Prefeitura de São Paulo, reuniu cerca de 100 participantes em uma apresentação aberta ao público.

“O projeto da Área 40 foi lançado com o objetivo de melhorar a segurança de pedestres e ciclistas, os mais vulneráveis no trânsito. Precisamos rever o foco dos investimentos em mobilidade e redesenhar nossas ruas e cidades para que pedestres e ciclistas possam se deslocar em segurança”, explica Danielle Hoppe, gerente de Gestão da Demanda do ITDP Brasil.

A oficina, nos dias seguintes ao encontro, reuniu 23 especialistas e técnicos para colaborarem com o projeto de requalificação urbana e segurança viária da área 40 de São Miguel Paulista.
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O principal objetivo da oficina foi oferecer subsídios técnicos para a criação de um ambiente seguro ao deslocamento de pedestres, alinhado com estratégias de políticas públicas que colaboram para redução das mortes no trânsito. “Os números (de mortes no trânsito) são assustadoramente altos e precisamos trabalhar duro para que isso chegue ao fim. Uma pessoa morre a cada 30 segundos no mundo vítima de ocorrências do trânsito”, analisa Skye Duncan, diretora da NACTO que esteve em São Paulo participando da oficina. Skye falou sobre o guia com conceitos de desenho urbano que será lançando pela NACTO ainda esse ano e afirmou que a cidade de São Paulo está começando a olhar para o pedestre e para o ciclistas ao mesmo tempo que diversas outras cidades ao redor do mundo estão fazendo o mesmo movimento de proteção à vida. “Precisamos dar um basta  e não permitir que isso continue acontecendo”, ponderou Skye.

Como parte importante das atividades do encontro, a região de São Miguel Paulista, local onde acontecerão as primeiras intervenções doProjeto de Requalificação de Áreas 40, recebeu a visita dos participantes, divididos em grupos de trabalhos, para um diagnóstico das condições locais. “A caminhada na área de estudo mostrou o quão urgentes são as intervenções. As ruas de São Miguel Paulista têm uso comercial e fluxo de pedestres intenso. As pessoas precisam disputar o espaço nas ruas com automóveis, ônibus e caminhões em altas velocidades”, destaca Glauston Pinheiro, coordenador de Transportes Ativos do ITDP Brasil.

As chamadas Zonas de 30 km/h –  e suas variações, como as Zonas 20 e Zonas 40 – são baseadas em uma forte hierarquização do uso das vias e são uma opção para moderar o tráfego, aumentar a segurança viária e melhorar a qualidade ambiental de áreas pré-determinadas. A Zona 30 reforçam a coerência entre uso, forma e função das vias locais.

“O risco de morte cresce exponencialmente de acordo com o aumento da velocidade. Por isso, a redução da velocidade nas áreas urbanas é um fator muito importante para a segurança viária e um avanço nas políticas de priorização do pedestre em relação ao motorizados”, explica Marta Obelheiro, coordenadora de projetos de Segurança Viária do WRI Brasil Cidades Sustentáveis.

A criação de zonas de tráfego moderado tende a melhorar a qualidade de vida nos bairros onde elas são implementadas. As atividades próprias de uma rua de bairro (conversar, jogar, estar, entre outras) tendem a ressurgir quando a sensação de risco e perigo trazida pelo trânsito de alta velocidade desaparece.

Após o levantamento de campo, os participantes da oficina trabalharam no detalhamento de uma proposta preliminar para a área.  Atualmente, São Paulo possui onze Áreas 40, totalizando 15 km2 de zonas de velocidade reduzida onde o limite máximo de velocidade é de 40 km/h ou menos.  A oficina propôs a implementação de medidas de moderação de tráfego para requalificar e garantir a redução da velocidade de circulação de veículos nessas áreas pré-determinadas. Saiba mais sobre o Áreas 40, que já está em implementação, aqui.

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