Participantes do Programa de Talentos Lemann Fellowship conhecem o MobiLab

O MobiLab foi visitado pelos participantes do Programa de Talentos Lemann Fellowship. Nossa iniciativa, que já foi premiada internacionalmente (saiba mais aqui, e aqui) despertou o interesse da comitiva que está no Brasil visitando importantes lideranças e iniciativas dos setores público e privado.

Esta é a 5a edição do Road Show – uma atividade de desenvolvimento de carreira que a Fundação Lemann oferece aos Lemann Fellows,  formandos brasileiros em universidades norte-americanas, com o objetivo de facilitar a colocação profissional e o desenvolvimento de suas carreiras, oferecendo aos participantes a oportunidade de conhecer alguns dos principais líderes brasileiros, entendendo seus diferentes pontos de vista, e assim apoiar a consolidação do seu comprometimento com a transformação social do Brasil.

O grupo visitou o Mobilab em sua passagem por São Paulo (29 e 30 de março, além de Brasília em 31 de março e Rio de Janeiro em 1 de abril) e contou com a participação de 14 Lemann Fellows. Sua agenda incluía ministros, legisladores e prefeitos, como o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

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Foto: Sidnei Santos

Em um bate-papo descontraído, Ciro Biderman, Coordenador do MobiLab, apresentou as atividades que vem sendo realizadas e as perspectivas para este ano.

Biderman lembrou que “nós buscamos responder como o governo poderia entrar no ambiente de inovação e trabalhar como uma startup”. Ele contou que o Mobilab foi criado como consequência de várias iniciativas, como a do começo da atual gestão de abertura dos dados dos GPS dos ônibus, que vinha sendo feito por cidades como Nova York e Portland e em São Paulo ocorreu em setembro de 2013, respaldado pelas manifestações de junho que pediam, além da revogação do aumento tarifário, qualidade no serviço de transportes e transparência na gestão publica. Após a abertura destes dados, duas hackatonas foram realizadas e após a criação do MobiLab, outras ações inovadoras começaram a surgir e ganham destaque na política de mobilidade urbana, como o projeto da Zona Azul Digital, a regulamentação do uso intensivo do sistema viário pelo transporte individual privado e o taxi preto, todos com participação do MobiLab, em forte parceria da SMT com a São Paulo Negócios.

Biderman destacou a economia de recursos que este formato de desenvolvimento consegue capitalizar para a administração pública: “não dá mais para o setor público aumentar a arrecadação, precisamos entregar mais com menos ou muito mais com o mesmo”. Essa tônica permeia todas as ações do MobiLab.

Harvard-MobiLab Experience: alunos desenvolveram soluções para mobilidade urbana

Os alunos que participaram do Harvard Experience no MobiLab, entre os dias 10 e 19 de janeiro, apresentaram seus projetos desenvolvidos durante a estadia no laboratório.

Os alunos que fizeram parte da experiência no MobiLab integram cursos de tecnologia como Ciências da Computação, Engenharia e Matemática. O grupo foi composto por nove graduandos da universidade norte-americana e 11 estudantes do Instituto de Matemática e Estatística da USP (IME-USP) e da Fundação Getúlio Vargas, do Rio de Janeiro. A escolha foi feita por professores de cada uma das instituições de acordo com o desempenho em seus respectivos cursos.

thumb_IMG_0727_1024Os estudantes, divididos em quatro grupos, foram avaliados por uma banca composta por professores da USP, da FGV e do Mackenzie, além de integrantes do MobiLab. Conheça o programa completo clicando aqui.

Os temas de cada grupo eram os seguintes:

a) melhor uso de imagens aéreas para otimizar o planejamento da infraestrutura da mobilidade urbana; b) utilização aprimorada das informações históricas geo-referenciadas nas tendências de transporte público para sugerir melhorias; c) utilizar os dados existentes dos sistemas de radares para entender padrões de origem e destino dos veículos; e d) uso das informações de GPS e radares para planejar pró-ativamente adaptações no planejamento do sistema de transporte em caso de eventos excepcionais.

thumb_IMG_0731_1024Oskar Kocol, estudante polonês de Ciência da Computação, aprovou a abertura de dados por parte da SPTrans e apontou que essa medida seria útil em outras partes do mundo. “Na Europa não é comum divulgar os dados desta forma. O projeto de São Paulo de abrir tantas informações é incrível. Há muito potencial em estudantes que possam acessar esses dados e ajudar outras pessoas em diversas áreas”, disse.

Já Fernanda da Cunha Duarte, estudante de Matemática Aplicada da FGV do Rio, disse que no primeiro dia de trabalhos foi possível identificar propostas que podem ser aplicadas também na capital fluminense. Ela também identificou a relação entre o trabalho no MobiLab e a rotina de qualquer pessoa. “A mobilidade urbana está relacionada ao meu dia-a-dia, com problemas que temos que lidar todos os dias”, comentou.

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O grupo vencedor, composto por dois brasileiros e três americanas, desenvolveu um aplicativo que, por meio de imagens aéreas, determina a largura das vias da cidade, com o objetivo de identificar ruas e avenidas com maior necessidade de intervenção na questão da infraestrutura.

Entre os vencedores, um aluno será sorteado e ganhará uma viagem por uma semana. Se for uma estudante de Harvard, ela voltará ao Brasil e se for um brasileiro, ele poderá conhecer Harvard. O sorteio será realizado pela Universidade no mês de fevereiro.

Sobre a estrutura do MobiLab, Vinicius Licks, diretor de Harvard, elogiou a disponibilidade de dados e sua função na sociedade. “O laboratório é fantástico, por proporcionar um espaço que permita encontros de pessoas interessadas em realizar trabalhos que contribuam para a cidade na área de mobilidade urbana. Ele está em nível de igualdade o com o que você encontra de melhor no mundo”.

Os vencedores

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Jessica Zhang, nascida em Baltimore e cursando Matemática Aplicada e Economia, integrante do grupo vencedor, ressalta que “foi uma grande experiência poder trabalhar em algo que pode impactar na vida das pessoas”.

O brasileiro Victor Faria, da turma de Ciências da Computação do IME-USP comemorou a grande quantidade de dados disponibilizados. “Nós tivemos acesso a muitos dados que São Paulo está disponibilizando e pudemos trabalhar neles e propor soluções para a cidade”, disse.

Monica Mishra, estudante de Ciências da Computação, ressaltou que o período mostra que há a possibilidade de aliar educação e poder público. “Muitas pessoas escolhem trabalhar na iniciativa privada, mas esse período mostrou que há muito espaço a ser trabalhado junto ao governo”, afirmou.

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Os alunos também comemoraram a iniciativa e ressaltaram o período de experiência no Brasil e a convivência com os estudantes do país. “Nós fomos muito bem recebidos pelos pares brasileiros, que nos fizeram se sentir em casa e conseguimos trabalhar muito bem juntos”, disse Zaria Smalls, nova-iorquina estudante de Engenharia Elétrica. A impressão foi compartilhada por outro integrante brasileiro do grupo, Carlos Elmadjian, que também estuda Ciências da Computação no IME-USP. “A experiência de trabalhar com os estudantes de Harvard foi enriquecedora”, conclui.
A expectativa da Universidade é que o projeto tenha continuidade. Jason Dyatt, diretor de Harvard, explicou que além da viagem a um dos alunos, os grupos participantes poderão se inscrever no iLab – Laboratório de Inovação da instituição e, caso sejam contemplados, terão apoio acadêmico para desenvolvê-los.

Outras propostas

Os demais grupos participantes apresentaram propostas para a mobilidade urbana de São Paulo como um aplicativo para facilitar a comunicação entre as esferas do poder público e os cidadãos, meios de utilizar os dados da bilhetagem eletrônica para ajudar no planejamento dos ônibus e coletar informações dos radares para verificar rotas alternativas de tráfego.

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Texto: Edmur Hashitani

Fotos: Sidnei Santos