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Laboratório de Mobilidade Urbana

O MobiLab, Laboratório de Mobilidade Urbana, é uma criação da Prefeitura de São Paulo para introduzir inovação e mudar o relacionamento da administração pública com tecnologia. Sua criação veio principalmente para melhorar a transparência e a qualidade e utilização dos dados brutos produzidos pela Secretaria de Transportes, CET e SPTrans.

O MobiLab é uma saída ao modelo passivo de consumo de tecnologia e uma maneira de introduzir a criatividade, customização e agilidade típicas de empresas startups no setor público.

Na compra de tecnologia da informação com grandes licitações, têm-se produtos desenvolvidos anteriormente, em código fechado, com licenças proprietárias e um custo sistemático para o governo.


Como surgiu?


Em junho de 2013, quando o Brasil foi notícia em todo o mundo por causa dos protestos que tomaram conta do país e que foram inicialmente motivados pelo aumento das tarifas de ônibus na cidade de São Paulo, a SMT respondeu prontamente aos protestos através de várias ações, entre elas a abertura de dados e informações do transporte coletivo, dando transparência à gestão.

Como o volume dos dados do transporte é de mais de 30 milhões por dia, se fazia imprescindível o uso de tecnologia da informação para sua abertura. Assim, setembro de 2013, logo antes da primeira Hackatona (maratona de programação) promovida pela SPTrans, abrimos por meio de uma api (application programming Interface) a localização geográfica em tempo real dos 15 mil ônibus da cidade, atualizada a cada 40 segundos. Poucas cidades no mundo têm seus dados abertos como São Paulo, nenhuma na América Latina.

Na Hackatona, startups e desenvolvedores usaram estes e outros dados para desenvolver ferramentas inovadoras que facilitam a vida dos usuários do sistema de ônibus municipal. Logo após surgiram dezenas de aplicativos que fornecem informações em tempo real sobre o tráfego, permitindo que o usuário finalmente conheça as condições de mobilidade na cidade. A segunda Hackatona foi organizada pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) em março de 2014, com o mesmo princípio de abertura de dados sobre o trânsito para fomentar a geração de ferramentas inovadoras.

Com o sucesso destas experiências, visualizou-se uma elevada qualidade das soluções criadas, evidenciando a necessidade da administração pública em inovar e desenvolver soluções aos munícipes e à gestão interna. Assim, surgiu o MobiLab, com a diretriz de integrar as políticas de trânsito e transporte e, principalmente, promover a transparência e análise dos dados produzidos pelos serviços, gerando novas soluções para uso da administração pública e para a sociedade na melhoria da mobilidade urbana.


Transformando o Governo em uma Startup


Como viabilizar a contratação de startups e desenvolvedores por parte do poder público?

A resposta foi o lançamento de um concurso público para seleção de propostas para projetos que atendessem a demandas da CET e SPTrans, dirigido à micro empresas, micro-empreendedores individuais e empresas de pequeno porte. O concurso buscou mudar a maneira como se contrata tecnologia da informação no setor público, apostando em soluções inovadoras e de baixo custo, baseadas em código aberto e ciclos rápidos de desenvolvimento.

Dentre os projetos em desenvolvimento destacam-se a central para controle dos semáforosisolados, da CET, conectando equipamentos de diversos fornecedores que atualmente não “conversam” com uma central e nem entre si, a automaçãodafiscalizaçãodotrânsitoedotransporte, para CET e SPTrans, que passará a ser realizada em smartphones, com software livre e código aberto, o Fale com a SPTrans, aplicativo e portal para acolhimento de solicitações dos cidadãos, entre outros.


Programa de Residência


Outro formato encontrado para aproximar os desenvolvedores da gestão pública foi a criação do programa Residência MobiLab. É um programa dirigido a startups que já tenham soluções em fase de desenvolvimento, selecionadas através de chamamento público.  O programa oferece acesso ao espaço de coworking do MobiLab, mentoria, testes monitorados, apoio de técnicos da Prefeitura e acesso aos dados de mobilidade. 

Saiba mais aqui.


Eventos


Por fim, o MobiLab vem realizando em seu espaço uma série de eventos públicos que fomentam a aproximação com o “ecossistema de inovação”, propiciada pela presença de startups, coletivos, academia, setor público, terceiro setor e outras formas organizacionais.

Confira a agenda aqui.


Prêmios


O MobiLab já recebeu 2 prêmios internacionais. O primeiro foi em 2014 - o conhecido Enterprising City/State MobiPrize, criado em 2012 pela Universidade de Michigan (USA) - por conta da criação do Laboratório de Mobilidade Urbana e Protocolos Abertos, que está fundado nos princípios de inovação, transparência e participação pública, com o objetivo de melhorar a gestão da mobilidade através da disponibilização de dados e criação de soluções participativas.

O Segundo foi o STA Sustainable Transport Award 2015, que na ocasião teve três vencedores e foram três cidades brasileiras: São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

O STA é uma realização do ITDP – Institute for Transportation and Development Policy em parceria com o Comitê Diretor do Sustainable Transport Award. Ele é concedido anualmente, desde 2005, e os projetos premiados devem melhorar a mobilidade para todos os cidadãos, reduzir a emissão de gases do efeito estufa, bem como melhorar a segurança e o acesso de ciclistas e pedestres no espaço público. São Paulo conquistou o prêmio pelos investimentos em transporte coletivo e não motorizado, como faixas exclusivas de ônibus e ciclovias, com a combinação entre investimentos e uma política de dados abertos. Assim, a grande inovação foi o MobiLab, laboratório que soluções, aplicativos e tecnologias através dos dados para vencer os desafios de mobilidade da cidade. Ele não venceu o prêmio sozinho, mas trabalha em sinergia com cada um dos bons resultados que a cidade teve ao longo do ano.